Exemplo de precificação: peça produzida do zero
Produzir uma peça do zero exige uma leitura diferente de comprar produto pronto. Além do material principal, entram modelagem, piloto, corte, costura, acabamento, revisão, passadoria, embalagem e perdas. Quando esses itens não aparecem no custo, a margem final parece maior do que realmente é.
Neste exemplo, vamos imaginar uma blusa feminina produzida em pequena escala. A peça usa tecido, aviamentos simples e mão de obra terceirizada. Os números são ilustrativos, mas mostram uma lógica que pode ser adaptada para vestidos, saias, calças, conjuntos, moda praia ou acessórios.
Custos diretos da peça
| Item | Como foi calculado | Custo por peça |
|---|---|---|
| Tecido principal | 1,40 m x R$ 24,00 | R$ 33,60 |
| Forro ou complemento | Rateio por peça | R$ 6,00 |
| Aviamentos | Botões, linha, elástico ou acabamento | R$ 4,20 |
| Etiqueta, tag e embalagem | Identidade e apresentação da marca | R$ 4,50 |
| Corte | Serviço terceirizado | R$ 5,00 |
| Costura e acabamento | Oficina ou costureira | R$ 28,00 |
| Modelagem e piloto | Rateio do desenvolvimento da peça | R$ 7,00 |
| Total base | Soma dos itens | R$ 88,30 |
Por que ratear modelagem e piloto?
Modelagem e piloto não aparecem fisicamente em cada peça, mas fazem parte do desenvolvimento. Se uma marca paga R$ 280,00 para desenvolver um modelo e produz 40 unidades, existe um custo de R$ 7,00 por peça. Se produzir apenas 20 unidades, esse mesmo desenvolvimento vira R$ 14,00 por peça.
É por isso que produção pequena costuma ter custo unitário maior. Não significa que a peça esteja errada, apenas que o preço precisa reconhecer a escala real.
Incluindo perdas e margem de segurança
Mesmo em uma produção cuidadosa, podem existir sobras, defeitos, retrabalho, ajustes de tamanho ou peças que precisam ser vendidas com desconto. Vamos usar uma margem de segurança de 8% sobre o custo base.
| Conta | Resultado |
|---|---|
| Custo base | R$ 88,30 |
| Margem de segurança de 8% | R$ 7,06 |
| Custo com segurança | R$ 95,36 |
Simulando preço B2C
Agora imagine que a marca queira vender essa blusa diretamente para a cliente final. Se o preço testado for R$ 219,90, a diferença entre preço e custo com segurança é de R$ 124,54 antes de taxas, impostos, descontos e despesas fixas.
Essa diferença não deve ser lida como lucro líquido automático. Ela ainda precisa cobrir taxa do meio de pagamento, imposto, embalagem de envio, campanhas, troca, custo fixo mensal e remuneração da operação.
| Preço B2C testado | Custo com segurança | Espaço antes de taxas |
|---|---|---|
| R$ 219,90 | R$ 95,36 | R$ 124,54 |
| R$ 189,90 | R$ 95,36 | R$ 94,54 |
| R$ 159,90 | R$ 95,36 | R$ 64,54 |
O que observar antes de escolher o preço
- O preço cobre o custo real da peça e ainda deixa margem para taxas?
- A peça tem valor percebido suficiente para o preço desejado?
- O público compara essa peça com produto autoral ou com peça básica de varejo?
- A produção é pequena demais para competir só por preço?
- Existe espaço para desconto sem destruir a margem?
Moda autoral muitas vezes não consegue competir com volume industrial. A solução não é ignorar o custo, mas comunicar melhor o valor: modelagem, tecido, acabamento, exclusividade, caimento, atendimento e identidade da marca.
Como preencher no Precifik
- Na aba Custo, use uma linha para cada material e serviço.
- Inclua modelagem e piloto como rateio, se eles foram pagos separadamente.
- Use margem de segurança para perdas e retrabalho.
- Leve o custo com segurança para B2C.
- Teste o preço que você gostaria de cobrar.
- Confira Metas para saber se o volume necessário é realista.
Conclusão
Uma peça produzida do zero precisa carregar muito mais do que tecido e costura. Quando todos os itens entram na conta, o preço final fica mais consciente. Às vezes ele sobe; em outras, mostra que a peça precisa de escala maior, fornecedor melhor ou comunicação mais forte para justificar a margem.
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