Exemplo de precificação: camiseta comprada pronta em lote
Quem compra camisetas prontas para colocar etiqueta, estampar ou revender costuma olhar primeiro para o preço unitário do fornecedor. Esse número é importante, mas não é o custo real da peça vendável. O lote pode ter frete, perda, defeito, embalagem, tag, troca e custo financeiro.
Este exemplo mostra uma conta simples para entender como um lote aparentemente barato pode mudar quando todos os custos são rateados. Use os valores apenas como referência didática e substitua pelos seus números na calculadora.
Dados do lote
| Item | Valor usado no exemplo | Observação |
|---|---|---|
| Quantidade comprada | 100 camisetas | Lote recebido do fornecedor |
| Custo unitário informado | R$ 18,00 | Preço por camiseta antes de frete e perdas |
| Frete do fornecedor | R$ 120,00 | Frete total do lote |
| Embalagem, tag e etiqueta | R$ 2,20 por peça vendável | Itens de apresentação da marca |
| Perdas ou defeitos previstos | 4 peças | Peças manchadas, com costura ruim ou grade inviável |
Primeiro erro: dividir tudo por 100
Se a marca olha apenas para o valor do fornecedor, conclui que cada camiseta custa R$ 18,00. Mas esse cálculo ignora frete e apresentação. Se divide o frete por 100, soma R$ 1,20 por peça. Se soma embalagem e tag, chega a R$ 21,40.
O problema é que nem todas as 100 peças serão vendidas. Se 4 peças virarem perda, o custo total precisa ser dividido por 96 camisetas vendáveis. É isso que mostra se o lote ainda é saudável.
Cálculo do custo por peça vendável
| Conta | Resultado |
|---|---|
| 100 camisetas x R$ 18,00 | R$ 1.800,00 |
| Frete total | R$ 120,00 |
| Embalagem e tag: 96 x R$ 2,20 | R$ 211,20 |
| Total considerado | R$ 2.131,20 |
| Peças vendáveis | 96 |
| Custo real por camiseta vendável | R$ 22,20 |
Aplicando margem de segurança
Moda tem variações: troca, desconto, peça que demora para vender, embalagem extra, campanha promocional e custo de reposição. Por isso, uma margem de segurança pode proteger o cálculo. Se a marca usar 8% de reserva, o custo de referência passa a ser:
R$ 22,20 x 1,08 = R$ 23,98
Esse é o custo que faz mais sentido levar para a aba B2C ou B2B, porque já considera uma pequena proteção para imprevistos.
Simulando preço de venda B2C
Imagine que a marca queira vender a camiseta por R$ 69,90 no Instagram ou site próprio. Antes de comemorar a diferença entre R$ 23,98 e R$ 69,90, é preciso lembrar que podem existir taxa de pagamento, embalagem de envio, imposto, desconto e custo fixo mensal.
| Preço testado | Custo com segurança | Observação |
|---|---|---|
| R$ 69,90 | R$ 23,98 | Boa diferença inicial, mas ainda precisa descontar taxas e despesas |
| R$ 59,90 | R$ 23,98 | Pode funcionar em volume, mas reduz espaço para desconto e troca |
| R$ 49,90 | R$ 23,98 | Preço mais sensível: exige atenção às taxas e ao custo fixo |
Quando o lote não vale a pena
Um lote pode não valer a pena mesmo quando o preço unitário parece baixo. Isso acontece quando a perda é alta, a grade vem ruim, o tecido não tem qualidade, o fornecedor atrasa, a peça exige muita embalagem ou o preço final aceito pelo público fica perto demais do custo real.
Antes de comprar mais, simule cenários: e se 8 peças vierem com defeito? E se o frete subir? E se o preço precisar entrar em promoção? O objetivo não é ter medo de comprar, mas comprar sabendo qual margem protege a operação.
Como preencher no Precifik
- Abra a Calculadora de Lote na aba Custo.
- Informe quantidade comprada, custo unitário, frete e custos extras.
- Preencha perdas ou defeitos previstos.
- Inclua embalagem, tag ou etiqueta por peça.
- Use o custo por peça vendável como base na tabela principal.
- Depois vá para B2C ou B2B e teste o preço final.
Abrir a calculadora Precifik