Checklist de Custos para Moda: o que colocar no preço da peça
Um preço ruim quase sempre começa antes da margem. Ele começa quando algum custo fica fora da conta. Em moda, isso acontece com facilidade porque a peça parece ter poucos itens principais, como tecido e costura, mas o produto final carrega várias despesas pequenas.
Este checklist ajuda a revisar o custo de uma peça antes de calcular B2C, B2B, promoção ou lote. Ele serve para marcas autorais, camisetas estampadas, revenda com personalização, ateliês pequenos e negócios que compram peças prontas para vender com marca própria.
1. Materiais principais
Comece pelos materiais que entram diretamente na peça. Eles costumam ser lembrados, mas nem sempre são medidos corretamente por unidade.
- Tecido principal, malha, brim, moletom, linho, viscose ou outro material base.
- Forro, entretela, bojo, elástico, renda, ribana ou recorte complementar.
- Quantidade usada por peça, considerando largura do tecido, encaixe e desperdício.
- Variação de consumo por tamanho, principalmente em peças plus size, oversized ou com modelagem ampla.
2. Aviamentos e identificação da marca
Os aviamentos parecem pequenos, mas podem mudar bastante o custo quando a produção cresce.
| Item | Exemplos | Como calcular |
|---|---|---|
| Fechamentos | Zíper, botão, colchete, ilhós, regulador | Valor usado em cada peça |
| Acabamento | Linha, viés, elástico, cordão, ponteira | Estimativa por peça ou rateio do lote |
| Marca | Etiqueta interna, tag, etiqueta de composição | Valor unitário de cada item |
| Apresentação | Saco, caixa, papel de seda, adesivo, brinde | Valor por pedido ou por peça |
3. Mão de obra e serviços
Mão de obra não é apenas costura. Dependendo da operação, o produto passa por criação, modelagem, pilotagem, corte, estampa, bordado, lavanderia, revisão, passadoria, embalagem e expedição.
Quando o serviço é terceirizado, use o valor cobrado pela oficina ou fornecedora. Quando o trabalho é feito por você, defina uma forma de remunerar seu tempo. Não colocar sua própria mão de obra no custo faz o negócio parecer lucrativo no papel, mas cansativo e inviável na prática.
4. Perdas, defeitos e reserva
Produção de moda raramente aproveita tudo. Pode haver tecido com defeito, peça manchada, estampa torta, grade quebrada, troca, devolução ou produto que precise ir para promoção.
Uma reserva de perdas ajuda a proteger a margem. Ela pode começar pequena, como 3% a 5%, e ser ajustada conforme seu histórico. Quanto mais instável o fornecedor, a modelagem ou o processo de estampa, maior precisa ser a atenção.
5. Fretes, taxas e canais
O preço também precisa considerar o caminho até o cliente. Frete de matéria-prima, frete de reposição, taxa de marketplace, comissão de afiliada, tarifa do cartão, embalagem de envio e custo de troca podem tirar a margem da peça.
- Se o cliente paga o frete, verifique se ainda existe custo de embalagem e atendimento.
- Se você oferece frete grátis, ele precisa estar previsto na margem ou em uma regra de pedido mínimo.
- Se vende em marketplace, calcule a taxa do canal antes de concluir que o preço está bom.
6. Despesas fixas rateadas
Aluguel, internet, sistema, energia, contador, maquininha, domínio, plataforma, anúncio e ferramentas de criação não entram fisicamente na peça, mas fazem parte da operação. Uma forma simples é somar as despesas mensais e dividir por uma meta realista de peças vendidas no mês.
Checklist final antes de precificar
- Listei todos os materiais usados na peça?
- Incluí tag, etiqueta, embalagem e identificação da marca?
- Considerei mão de obra própria ou terceirizada?
- Rateei frete de compra, perdas e peças com defeito?
- Incluí taxas do canal de venda?
- Reservei uma margem para desconto, troca ou promoção?
- Comparei o preço B2C com o preço B2B, se vendo atacado?
Depois desse levantamento, a calculadora fica muito mais útil. Ela deixa de receber um custo incompleto e passa a trabalhar com uma base realista para margem, preço final, atacado e metas.
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